22 Maio, 2009

Muitas vezes organizava mentalmente as ideias, quanto ao regresso, ou não, ao meu “migas”. E por isso, a falta de notícias. Porque não sabia bem a resposta. Na realidade, a vida num país como Angola, deixa-nos por vezes pouco “espaço” para ter uma vida “normal”. E, tem sido o caso. A vida, em constantes mudanças. Por isso, neste momento, o meu Migas com Gindungo deixou de fazer sentido. E ficou tanto por dizer, fotografar, mostrar. Mas, por agora, ficamos por aqui. Com um sorriso.
E a certeza que continuarei sentada, a ver África correr por mais algum tempo. Até ao dia que regressarei, diferente, ao colo do meu país.

31 Outubro, 2008

Casa de Luanda

Tenho andado ausente, é certo. As razões são meramente profissionais que me têm deixado pouco tempo livre. A rotina das refeições continua e em breve voltarei com novidades. Mas, o que me fez vir ao MCG foi a Casa de Luanda. Muitos já nos visitam e, passamos a ter alguns comentadores vindos do MCG, sempre simpáticos e interventivos. Pois bem, o Blog Casa de Luanda é finalista em duas categorias do The BOBs 2008: Melhor Weblog (único em língua Portuguesa) e Melhor Weblog em Português.
Pelo que percebi, nenhum dos moradores da Casa fez a indicação ao prémio o que por si só, quanto a mim, já é uma vitória! Faz-me acreditar que, apesar de tudo, vale a pena escrever sobre a realidade de Angola.
Quem quiser votar, pode fazê-lo no site do prémio!
Parabéns ao F. e P., criadores do blog, a todos os moradores e, a todos os que nos visitam e que abrem a nossa Casa de Luanda, ao resto do mundo!

08 Outubro, 2008

Na terra do café

Na terra do café, das fazendas, da floresta. Entre Luanda e Uíge, vi a floresta densa. Vi a vida a correr devagar. Algures entre Luanda e Uíge as catanas ainda servem para caçar.
A história está adormecida. Abandonada. O descasque central continua lá. À espera do café.
A África da minha imaginação, que eu não vejo todos os dias mas, eu sei que existe. A África que me faz lembrar filmes que gostei e vi tantas e tantas vezes. A África que nos é contada, por aqueles que cá viveram. A África grande, bonita, fértil. É esta. Não é aquela que eu vejo todos os dias.

Ver também: Angola é Verde

25 Setembro, 2008

Frango à indiana

Eu bem que tento convencer a minha meia-laranja de que a Índia é um país simpático de se visitar. Mas não. Não tenho muita sorte. Índia, jamais! Ora, nada como um prato a cheirar a Índia para brincar ao faz-de-conta. Este, inspirado no blog Marias Menu, ficou simplesmente delicioso. Para quem gosta deste tipo de sabores, vale a pena dar uma espreitadela neste blog!

Ingredientes para 2 pessoas:
½ frango cortado em pedaços
2 cebolas cortadas em meias-luas finas
1 gindungo
2 dentes de alho picados
1 colher chá de garam masala
1 colher chá de açafrão em pó
1 tomate grande pelado
200ml de leite de côco
1 colher chá de sementes de mostarda
Sal e azeite q.b.

Marinar os pedaços de frango com metade da porção de cebola, o gindungo cortado em pedaços, ½ porção de garam massala, o açafrão em pó, o alho picado e sal. Reservar durante 30 minutos. Aquecer o azeite num tacho e acrescentar as sementes de mostarda. Acrescentar a restante cebola e saltear até a cebola ficar transparente. Acrescentar a restante porção de garam massala. Fritar ligeiramente e adicionar o tomate pelado, cortado em pedaços. Acrescentar o frango e o leite de côco. Cozinhar até o frango ficar tenro (cerca de 20 minutos). Servir de imediato com arroz branco.

Nota 1: esta é a adaptação ao meu gosto (sem os coentros em pó ou o gengibre, que não tinha). O método que utilizei para cozinhar também foi mais simplificado pois o original refere que a carne seja antes cozinhada no leite de côco.
Nota 2: ver o blog da Marizé onde ela ensina como fazer garam massala em casa.
Nota 3: para os leitores de Luanda, as sementes de mostarda e o garam massala foram comprados no supermercado asiático/árabe em Miramar.

22 Setembro, 2008

Carta aos queridos "jornalistas" angolanos

Ora bem, eu até sou uma garota tranquila. Não estrago a minha beleza com assuntos de pouca importância. E se houve um episódio relacionado com a blogoesfera, que não interessa para o caso, me aborreceu profundamente, a história dos plágios e cópias eu não aceito mas, digamos que não me tira o sono. Mas eis que, a história fica engraçada se uma certa receita de um certo prato angolano é “roubada” por um certo jornal angolano. Até as minhas opiniões foram utilizadas, tais como: para os menos aventureiros, um arroz branco vai bem... ao invés do funge. Ora, meus amigos, vocês escrevem para angolanos! Acham que os angolanos, vão querer ler num jornal angolano, que moamba se acompanha com arroz!!! Eu escrevo para quem me quer ler, sobretudo para Portugal, de onde sou. Por isso, as minhas opiniões são para os não-angolanos! Apesar de eles também lerem e darem a sua opinião (sempre bem-vinda, aliás).Vamos lá meninos jornalistas (?), ter um pedacinho de espírito crítico! Querem que eu escreva para o jornal? É só mandarem um e-mailzinho que eu, garota simpática, até penso no assunto. Agora copiar e vender jornais. É um bocado feio, não é? Sendo uma receita, vá lá, eu perdoo. Mas que não se volte a repetir, ya?

P.S. Nem sei se fico vaidosa ou se fico com medinho. Um jornal ligado ao Governo a ler o que escrevo?.. É melhor ter mais cuidadinho... ahahahah A migas é brincalhona, ok? Um abraço e beijinho para os senhores jornalistas! Uns queridos!

19 Setembro, 2008

Bolachas de Cacau


Digamos que eu andava à uns meses de olho nesta receita do blog Smitten Kitchen mas, o facto de não encontrar cacau em Angola, fez-me adiar e adiar e adiar. É difícil querermos algo e conseguirmos no momento. Confesso que ao início isso fazia-me uma confusão tremenda. Querer comer algo e, não conseguir porque para tal teria de percorrer 3 supermercados. Agora não. Fico com a ideia em carteira e, à primeira oportunidade, tento concretizá-la. Isso, se o preço não me fizer pensar duas vezes. Contudo, o facto de ter de percorrer 3 ou mais supermercados para conseguir comprar tudo o que preciso, mantém-se. Num compro a carne. Sempre. Nos outros vou comprando o resto. Ora num não há açúcar. Ora no outro o preço dos iogurtes é 3 vezes mais caro do que no terceiro. Mas, com o tempo, vamos lá...

Ingredientes para muitas bolachas (+/- 100 pequenas):
3 copos de farinha
½ colher chá de sal
½ colher chá de fermento
1 copo the manteiga amolecida
1 ½ de açúcar
2 ovos grandes
1 colher chá de extracto de baunilha
1/3 copo de cacau

Pré-aquecer o forno a 200º. Misturar a farinha com o sal e o fermento e reservar. Misturar a manteiga, o açúcar, os ovos e a baunilha na batedeira. Aos poucos, adicionar a mistura com a farinha e misturar bem todos os ingredientes. Colocar a massa num pedaço de película aderente e deixar no frigorífico durante uma hora. Como um rolo de massa e, numa superfície enfarinhada, estender a massa (no meu caso até uns 3-4mm de espessura) e cortar com os cortadores de bolacha. Untar um tabuleiro com manteiga e dispor as bolachas, espaçadas. Levar ao forno por cerca de 12 minutos ou até as bordas se encontrarem firmes e o centro fofo. Deixar arrefecer e conservar em recipiente fechado.

13 Setembro, 2008

Fatias de Courgette

Um dia recebi um e-mail engraçado. Era uma garota, com a minha profissão, a trabalhar em Luanda, do Norte de Portugal como eu e que também gostava de cozinhar. Daí a descoberta do meu blog. Ora, após alguma troca de e-mails, conhecemo-nos pessoalmente, na semana que “perdi” um colega que voltou ao Brasil. Se “perdi” um amigo, não há dúvida que ganhei uma amiga! A A.I. é “quase” vegetariana. “Quase” porque não deixa de comer carne ou peixe mas, evita-o. Sobretudo carne. O seu legume favorito é a courgette. Um dia, pergunta-me se aqui não há courgettes. Haver há. Tal como muitos outros produtos às vezes há mas, na maioria das vezes, são difíceis de encontrar. Ora, numa dessas vezes que encontrei, decidi concretizar uma receita da Blue Cooking de Julho de 2008, cuja base era courgette. Andava a namorá-la desde que comprei a revista. É a receita ideal para os meus almoços a “solo”, lá no escritório! Ficou aprovada e, eu diria que subsituindo o bacon por uns cogumelos, ficará uma receita simpática para os meninos e meninas que não comem carne. Tal como a A.I.!

Ingredientes:
3 ovos grandes
3/4 chávena de farinha com fermento
1 courgette média ralada (com casca)
1 cebola pequena picada
1/2 chávena de bacon em cubos pequenas
4 fatias de queijo
1/8 chávena de óleo vegetal

Aquecer o forno a 170ºC. Unte uma forma quadrada com cerca de 20cm com margarina e enfarinhar. Bater os ovos e juntar a farinha aos poucos até obter uma mistura homógenea. Acrescentar a courgette, a cebola, o bacon, o queijo e o óleo e misturar bem. Deitar a massa na forma e levar ao forno por 30 minutos ou até passar o teste do palito. Deixar arrefecer e cortar em quadrados.

Nota: As quantidades referidas no post não são as indicadas pela Blue Cooking uma vez que reduzi os ovos (original usa 5) e, consequentemente reduzi todas as outras quantidades.

08 Setembro, 2008

Queques Mulatos

Vamos fazer mulatos? Hummm, dito assim, esta minha proposta tem um q.b. de indecente mas na realidade, é uma proposta bem ingénua! Eu explico. Vamos fazer uns bolinhos, com ingredientes simples, um toque de cacau e muito fofinhos! Ainda desconfiados? Vamos então fazer uns Queques Mulatos!

Ingredientes para 12 queques:
100 g de manteiga
150 g de açúcar
3
ovos
1 colher de sopa de cacau em pó
3 colheres de sopa de leite
150 g de
farinha
1 colher de sobremesa de fermento em pó

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Bater a manteiga com o açúcar até obter um creme esbranquiçado. Juntar os ovos inteiros, um a um, e continuar a bater. Adicionar o cacau, previamente dissolvido no leite, misturando bem. Finalmente, juntar a farinha peneirada com o fermento. Encher com a massa formas de queque, até 2/3 de altura, e levar ao forno durante cerca de 25 minutos. Polvilhe com açúcar em pó.

Fonte: Vaqueiro

Nota 1: As formas não foram previamente untadas e enfarinhadas porque usei as formas de silicone que a minha querida amiga Pipoka, gentilmente me ofereceu! É prático, não se sujam as mãos e, ao contrário do que eu pensava, não deixa qualquer sabor a plástico nos bolinhos! Ahahah, confessado aqui o meu trauma! Aprovadíssimo, Sô-Dona-Pipokita! Thanks!!

05 Setembro, 2008

Bife com Molho de Café

Finalmente chegou o dia tão esperado: as eleições em Angola. O povo angolano esperou 16 anos para poder finalmente votar, depois de em 1992 as eleições terem desencadeado uma guerra civil que terminou em 2002. Por aqui, o ambiente está muito calmo. Muito mais do que eu poderia esperar até porque vivo num prédio com outros angolanos e, confesso que esperava mais festa e música. Apenas uma curiosidade. De manhã, os vizinhos partilhavam um mata-bicho especial e bem composto (o peixe entrava no cardápio) e, as roupas que levavam eram as de momentos especiais. É portanto um dia especial para este país que agora, é um pedaço de mim. Ora, se o dia é passado em casa, parte dele é dedicado à cozinha. Dois bifes muito bons, comprados na loja do costume e a vontade de um molhinho especial. Uma rápida pesquisa fez-me vacilar entre duas opcções: esta da Marizé ou, esta com molho de café. Este último, é já meu conhecido das revistas de culinária mas, curiosamente nunca tinha provado. Hummm... mostarda-café, café-mostarda. Escolha difícil. Optei pelo café para poder finalmente provar o molho tão famoso em certos restaurantes lisboetas. Óptima escolha, sobretudo para quem, como eu, adora café!

Ingredientes para 2 pessoas:
2 bifes
1 colher sopa manteiga + 1 colher sopa de azeite
4 alhos esmagados
1 cálice de vinho do Porto
0,5 dl de café forte
1 dl de leite
Sal e Pimenta q.b.
1 folha de louro

Derreter metade da manteiga e do azeite numa frigideira, adicionar os alhos esmagados e a folha de louro. Quando estiver quente adicionar os bifes e fritar de ambos os lados até a carne estar dourada. Temperar com sal e pimenta. Retirar os bifes para um prato e reservar em local quente.
Deitar o vinho do Porto na frigideira e mexer com uma colher para dissolver os resíduos que ficaram agarrados. Adicionar a restante manteiga e azeite e assim que a manteiga derreter juntar o café e o leite. Colocar de novo os bifes na frigidiera assim como o suco que largaram e deixar levantar fervura, em lume brando, agitando a frigideira de vez em quando.
Servir de imediato com acompanhamento a gosto: batata frita, arroz branco ou, como eu, massa tagliatelli.

Nota 1: Se os alhos queimarem será melhor retirá-los. No meu caso, como não os deixei queimar, servi o molho com os alhos.
Nota 2: Numa próxima vez, seguirei a sugestão da Vaqueiro, juntado um pouco de farinha maisena para tornar o molho um pouco mais espesso e cremoso.

01 Setembro, 2008

Oh yeah!

Quase dois anos depois da minha chegada a Luanda, vou poder finalmente dizer que sou feliz! E toda esta felicidade, tcharaaan, resume-se a uma casa. A 6ª casa, para os mais distraídos. Vou poder finalmente acordar a horas aceitáveis e deixar de enfrentar as 3 ou 4 (ou mais) horas diárias de trânsito (extra horário de trabalho, entenda-se). Vou também ter muito menos problemas com abastecimento de água e luz. Digamos que 3 dias a tomar banhoca de água fria, com garrafa de 1,5l não é coisa bonita de se fazer. E ter todas as semanas problemas com o baby-gerador também não é muito animador. Por tudo isso, se me virem por aí não se admirem: eu não ando, eu flutuo. Se me virem por aí, eu não digo “bom dia”, eu sorrio “bom dia”. Se me virem por aí com menos olheiras e um ar mais simpático sim, sou mesmo eu! Nos últimos tempos o meu nome do meio era Garfield. Vou também deixar de pensar todos os dias que, talvez fosse melhor ir embora para Portugal ou, qualquer outro país. Nem tudo será perfeito, eu sei. Mas, digamos que este upgrade vai melhorar em muito a minha qualidade de vida*. E por isso, espero ter mais tempo para dedicar ao meu hobbie favorito!

Este post celebra também o primeiro ano de existência deste blog. Deixei passar o dia que comemorava o primeiro aniversário do meu MCG onde fui partilhando um pouco mais do que receitas. E este post é um exemplo disso. Porém, penso que ainda estou a tempo de agradecer a todos os que me visitam pelo incentivo neste país que não é meu mas que, de alguma forma, passou a ser um pedaço da minha vida. Para além de ter conhecido pessoalmente algumas blogueiras que comigo partilham este hobbie, conheci também alguns leitores anónimos que, nunca comentam aqui mas que, de alguma forma, já fazem parte da minha vida de Luanda. E isso, foi graças ao meu Migas com Gindungo! Nem tudo foi perfeito, como aliás nada o é na vida mas, de uma forma geral, o meu balanço é positivo!

Para os blogueiros, de foodblogs ou não, bem como ao leitor anónimo, Kandandu**.

* Esta manhã, 10 minutitos, ao contrário das horas dos últimos meses! :o)
**Kandandu – 1 abraço